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29.6.10

Temperar a carne com alecrim pode reduzir seu potencial cancerígeno, sugere estudo

Acrescentar alguns temperos, como o alecrim e o açafrão, antes de preparar carnes vermelhas pode ajudar a reduzir os riscos de câncer associados ao consumo desses alimentos, segundo estudo da Universidade do Estado do Kansas, nos Estados Unidos. De acordo com especialistas, temperos como a cúrcuma têm grande quantidade de antioxidantes que ajudam a prevenir a formação de aminas heterocíclicas - compostos cancerígenos que são produzidos quando as carnes são grelhadas, assadas ou fritas.

Em testes em laboratório, os cientistas observaram que a cúrcuma, o alecrim e um tempero chinês retirado de um tubérculo parecido com o gengibre (fingerroot) reduziam em mais de 40% a produção dessas aminas, reduzindo significativamente os riscos associados ao composto, incluindo de câncer colorretal, de estômago, de pulmão, pancreático, de mama e de próstata. E o maior efeito protetor contra a produção dessa amina foi observado no alecrim.

As carnes de boi assadas tendem a desenvolver mais HCA (aminas heterocíclicas) do que outros tipos de carnes assadas, como porco e frango. Entretanto, de acordo com o especialista, se os consumidores usarem temperos como o alecrim no preparo dos bifes, pode inibir de 61% a 79% a ação do composto associado ao câncer, principalmente em altas temperaturas, quando aumenta a produção do HCA.

Os pesquisadores planejam, agora, a realização de mais pesquisas para avaliar quais “marinados” e pós podem também reduzir a produção das aminas heterocíclicas. E outras pesquisas devem ser realizadas para confirmar se as carnes marinadas com ervas e pimentas podem efetivamente ser de menor potencial cancerígeno.

26.3.09

Reduzir carne vermelha diminui mortalidade, indica pesquisa

Estudo divulgado aponta relação entre o consumo de carne vermelha e carnes processadas e maior número de mortes por câncer e problemas cardiovasculares. A pesquisa, uma das maiores já realizadas, analisou dados de 500 mil norte-americanos de 50 a 71 anos de idade.

Em dez anos de acompanhamento, morreram 47.976 homens e 23.276 mulheres. Para os pesquisadores, 11% das mortes em homens e 16% das mortes em mulheres poderiam ser adiadas se houvesse redução do consumo de carne vermelha para 9 g do produto a cada 1.000 calorias ingeridas -o grupo que mais ingeriu carne vermelha (68 g a cada 1.000 calorias) foi o que apresentou maior incidência de morte.

No caso das doenças cardiovasculares, a diminuição dos riscos chegaria a 21% nas mulheres se houvesse redução. "A carne processada tem mais sal e gordura saturada, o que aumenta chances de doenças cardiovasculares", diz Daniel Magnoni, nutrólogo e cardiologista do Hospital do Coração.

Para o cardiologista Marcos Knobel, coordenador da unidade coronária do hospital Albert Einstein, além da gordura da carne, o problema é o preparo e os outros alimentos que são somados à refeição. "Se a pessoa come um bife à milanesa ou um bife com ovo frito, já estourou de longe a cota de colesterol."

Além disso, ele alerta para os condimentos. "O sal aumenta o risco de hipertensão arterial sistêmica. Se a carne for processada, é pior porque, além do sódio, geralmente tem óleos para a conservação."

Os riscos de câncer estão principalmente relacionados à forma de preparação de qualquer tipo de carne. Sabe-se que, durante o cozimento em altas temperaturas, são formadas aminas heterocíclicas, substâncias reconhecidamente cancerígenas. As maiores temperaturas são atingidas ao grelhar na chapa e fritar com pouco óleo o alimento. Por esse motivo, indica-se a preparação no forno ou em um cozido.

O churrasco também traz perigo. Durante a preparação, a fumaça do carvão libera alcatrão e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, substâncias também cancerígenas. "A associação é feita principalmente com as carnes vermelhas, porque elas são preparadas mais frequentemente em churrasco ou na chapa", afirma Fábio Gomes, nutricionista do Inca (Instituto Nacional de Câncer).

Segundo o cirurgião oncológico Benedito Mauro Rossi, do Hospital A.C. Camargo, a relação entre consumo de carne e câncer está muito estabelecida, inclusive no Brasil. A distribuição geográfica do câncer do intestino, por exemplo, mostra que no Amapá, a incidência do tumor é de 1,51 caso por 100 mil habitantes, enquanto no Rio Grande do Sul, a terra do churrasco, a incidência é de 28,5 por 100 mil habitantes.

Outro mecanismo desencadeante de câncer seria o excesso de ferro no organismo, ocasionado pelo alto consumo de carne vermelha, importante fonte do mineral. Muito ferro pode causar danos oxidativos e agredir as células do intestino grosso, o que leva ao câncer.

Já as carnes processadas, como linguiças, charque e hambúrgueres, são conservadas com nitritos e nitratos, substâncias, que, no estômago, são transformadas em nitrosaminas, que aumentam as chances de ocorrer um câncer no estômago e no intestino. A recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) é de que a ingestão de carne (excluindo frango e peixe) não ultrapasse os 300 g por semana.

Como a carne vermelha é boa fonte de ferro, é indicado aumentar o consumo de vegetais folhosos verde-escuros, também ricos no mineral.


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